Jogo de Xadrez em Sesham ♞
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Dalbergia sissoo: a madeira por trás do jogo de xadrez em Sesham
O Sesham — nome comercial do Dalbergia sissoo — é uma espécie nativa do subcontinente indiano e do Nepal, com presença documentada na marcenaria de Moradabad e Saharanpur (Uttar Pradesh) desde pelo menos o século XVII, durante o período mogol. A sua densidade situa-se entre os 770 e os 850 kg/m³ conforme a origem, e a dureza Janka ronda os 7.400 N. Na prática: uma madeira que resiste ao uso intenso, não amassa facilmente e mantém o acabamento ao longo dos anos sem exigir tratamentos frequentes.
Pertence ao mesmo género botânico que o pau-rosa brasileiro e o cocobolo centroamericano — a família Dalbergia — o que explica a presença de óleos naturais que conferem resistência intrínseca a fungos e insetos xilófagos, sem necessidade de tratamento químico de base. Para um jogo de xadrez que vai estar numa prateleira ou numa mesa de jogo, isso tem consequências concretas: menor absorção de humidade, menor risco de empeno e superfície que não resseca com a variação de temperatura ambiente.
Por que o Sesham domina as peças de xadrez artesanal indiano?
Os principais centros de torneamento de peças de xadrez em madeira na Índia ficam em Amritsar (Punjab) e em Saharanpur e Moradabad (Uttar Pradesh). São regiões com tradição de torno manual de precisão que permite obter as formas curvas das peças Staunton — o desenho normalizado adotado internacionalmente em 1849 — com alturas de rei entre 85 e 105 mm dependendo do tamanho do tabuleiro.
O Sesham é particularmente bem adaptado ao torneamento porque o seu grão entrelaçado não fragmenta nas secções de pequeno diâmetro, ao contrário de madeiras mais porosas. O resultado é um pescoço de rainha ou uma cúpula de rei com transições limpas, sem lascar. Esta característica técnica, não o misticismo artesanal, é a razão pela qual os fabricantes de Saharanpur escolhem o Sesham há décadas para as peças escuras de conjuntos profissionais.
Combinação Sesham e buxo: o contraste clássico do xadrez em madeiras nobres
Num jogo de xadrez bicolor em madeira, a escolha das duas espécies determina a legibilidade visual da partida e o equilíbrio estético do conjunto. O emparelhamento Sesham e buxo europeu (Buxus sempervirens) é considerado uma referência porque a diferença tonal é real e consistente: o Sesham apresenta um castanho-dourado a castanho-escuro com veios irregulares mais escuros, enquanto o buxo mantém um tom creme-amarelado uniforme com grão muito fino. A densidade de ambos é comparável, o que significa que o jogo fica equilibrado em peso entre peças claras e escuras — detalhe importante para quem joga, não apenas para quem expõe.
Peças escuras em Sesham: castanho-dourado com veios variáveis, superfície naturalmente oleosa, dureza Janka ~7.400 N
Peças claras em buxo: creme uniforme, grão muito fino ideal para o torneamento de detalhes, dureza Janka ~8.200 N
Como avaliar a qualidade de um jogo de xadrez em Sesham antes de comprar
A qualidade de um conjunto em madeira de Sesham não se mede apenas pelo aspeto visual. Há critérios concretos que distinguem um trabalho bem executado de uma produção apressada. As bases das peças devem ser perfeitamente planas — qualquer oscilação indica falta de acabamento no torno. A feltração (proteção na base das peças) deve ser uniforme e bem colada; quando está descascada ou mal aplicada, é sinal de controlo de qualidade deficiente na montagem final. Os tabuleiros de qualidade superior têm os quadrados embutidos com encaixe seco, sem cola visível nas juntas.
O brilho do Sesham num conjunto bem acabado deve ser mate-acetinado, não lustroso como verniz de mobiliário. O acabamento com óleo de linhaça ou óleo de teca a frio — o procedimento standard em Amritsar — satura a fibra sem criar uma camada plástica. Se o tabuleiro parece envernizado em brilhante, houve um passo de acabamento que compromete a autenticidade e a manutenção futura.
Jogo de xadrez em Sesham como peça de coleção e uso quotidiano
Há uma diferença entre um jogo de xadrez comprado para exposição e um conjunto pensado para uso regular. O Sesham serve ambos, mas é nos conjuntos de uso — os que ficam em cima de uma mesa, manuseados várias vezes por semana — que as suas propriedades mecânicas se destacam. A estabilidade dimensional da madeira face a variações de humidade relativa entre 40% e 65% (o intervalo típico de um interior doméstico) é superior à de espécies menos densas. Os tabuleiros de Sesham não empenam quando a estação muda.
Para os amantes do xadrez que querem aprofundar os critérios de escolha entre espécies — Sesham, nogueira, ébano reconstituído, acácia — o artigo sobre espécies de madeira para tabuleiros oferece uma comparação técnica com dados de densidade e comportamento à humidade. A escolha certa depende do uso, do orçamento e de onde o conjunto vai ficar: as respostas são diferentes para um apartamento em Lisboa e para uma casa de campo no interior.































